quarta-feira, 6 de junho de 2012

Uma lagrima de esperança

Quando eu tinha 9 anos, me mudei com minha família para uma cidadezinha não me recordo agora do nome, mas era uma cidade bastante modesta e humilde. Chegando lá conheci várias crianças da minha idade, entre elas a que eu criei um vinculo maior foi com a Marcinha. Eita menina divertida e legal era ela, a gente conversava muito, mas as vezes bastava a gente se olhar e assim uma entendia o que a outra queria dizer. Nós éramos vizinhas o que fez aumentar o nosso vinculo de amizade.
A varanda de casa era ligada a varanda da casa dela, e a Marcinha tinha a mania esquisita de sempre que acontecia alguma coisa engraçada, ela escrevia num papelzinho e colocava num vaso de flores que tinha do lado da minha varanda, daí eu lia e caía na gargalhada. Porém o tempo passou e as historinhas mudaram, não eram mais piadinhas ou coisas bizarras, agora as coisas que ali ela dizia era estranho não só pra ela que escrevia, mas pra mim também que lia. Além das histórias, minha amiga também mudou. Marcinha deixou de ser aquela menina divertida e tornou-se uma uma menina assustada e desconfiada.
Por eu morar proxima dela, me vi com a missão de ajuda-la. - Mas como? (pensei)
Nos bilhetes ela dizia.: " Não conta pra ninguém, mas o novo namorado da mamãe anda fazendo umas coisas estanhas comigo. Tô com muito medo. Me ajuda!"
Daí eu respondi: Vou fazer o que puder pra te ajudar amiga, mas quero saber o que ele ta fazendo contigo. Ele te bate? O que ele faz?
No dia seguinte la estava o bilhete da Marcinha: "Lembra daquela conversa que a gente escutou uma vez de um casal na rua? Eles tavam falando de pegar no corpo um do outro. Não sei como falar, to com vergonha... Ele me toca e diz pra eu ficar calada. Se eu falar pra mamãe, ele vai me matar. As vezes eu me escondo mas ele me acha e eu choro. Porque tenho medo dele. Me ajude."

Apesar de eu ser criança demais, sabia que aquilo era gravíssimo. Respondi: vou te ajudar, faz o que eu vou dizer. Amanhã quando sua mãe for voltar pro trabalho fala bem alto. Tchau mamãe, eu te amo! Duas vezes. O resto é comigo! Confia em mim.
Pela minha idade não poderia fazer nada sozinha então contei para os meus pais, mostrei os bilhetes da Marcinha e eles ficaram chocados. Contei o que queria fazer pra minha mãe e ela me judou.
Quando a mãe da Marcinha saiu o seu namorado ficou na porta daí eu ouvi o que tinha pedido pra ela falar.
Puxei a mão da mamãe e saímos. Meu pai chamou a mãe da Marcinha e os dois conversaram. Vi de longe o susto no rosto dela. Que triste... A polícia apareceu dobrando a esquina, nos olhos de Marcinha uma lágrima de esperança escorreu no seu rosto. A Marcinha que estava ainda na frente de sua casa viu sua mãe parada de boca aberta, então sua mãe foi correndo abraça-la. O namorado vigarista foi preso e logo confessou seu crime. A vida de Marcinha começou a voltar ao normal, claro que pra ela, tudo aquilo seria um trauma pra toda vida, mas com o acompanhamento do piscólogo ela foi aprendendo a lidar com tudo aquilo. Tudo que aconteceu fez com que nossa amizade se tornasse mais forte. Nada no mundo pagaria a volta do sorriso da minha melhor amiga da infancia. Nos tornamos pessoas confiantes e autoras de nossas histórias.

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